A história começa simples. Você abre uma loja em Aracaju. Aluga um ponto. Contrata gente. Compra o estoque. Paga ICMS, ISS, IPTU, energia, água, INSS, FGTS, contador, antivírus, alvará. Vende, emite nota, declara, recolhe. Faz isso todo dia, durante anos. E ainda assim, no momento de comprar, seu cliente abre o celular e fecha pedido em um marketplace estrangeiro — onde o produto chega isento de Imposto de Importação até US$ 50, sem ICMS proporcional cobrado em Aracaju, sem alvará da prefeitura municipal, sem contrato CLT, sem nada do que você precisa cumprir pra abrir as portas amanhã de manhã.

A MP 1.357/2026 formalizou essa anomalia. Para compras internacionais de até US$ 50, a taxa zerou. O argumento oficial é que isso democratiza acesso ao consumo. Na prática, é a confirmação de algo que o varejo brasileiro vem dizendo há anos: quem produz aqui paga, quem manda de fora não paga.

Não é uma questão de fechar fronteiras. É uma questão de jogar o mesmo jogo.

O que está em jogo no chão da loja

O lojista de Aracaju emprega 5, 10, 30 pessoas. Paga salários todos os meses. Carrega no preço do produto o custo de ser legal — de existir formalmente, de pagar conforme as regras. Quando o consumidor compara o preço da sua loja com o preço do AliExpress, ele não está comparando lojas iguais com gestões diferentes. Ele está comparando quem cumpre a lei com quem não precisa cumprir.

O comércio brasileiro não pede privilégio. Pede que a regra seja a mesma pra todo mundo que vende para o consumidor brasileiro.

É uma diferença de status que se traduz em diferença de preço de 30%, 50%, 70% — não porque o produto chinês seja superior em qualidade ou produção, mas porque ele entra no Brasil sem a carga que a loja de Aracaju paga só pra existir.

O número que importa: a carga tributária sobre o consumo no Brasil é uma das mais altas do mundo (cerca de 35% sobre o preço final). Toda essa carga é paga pelo varejo brasileiro. Compras internacionais até US$ 50 entram com zero. É o jogo desigual mais documentado da economia brasileira.

Por que isso é uma causa da CDL Aracaju

A Câmara de Dirigentes Lojistas de Aracaju existe há 65 anos. Fomos fundados em 13 de dezembro de 1961 por 100 comerciantes que acreditavam em uma coisa simples: que o varejo da capital sergipana merecia uma voz organizada. Hoje somos mais de 800 lojistas, e essa voz continua sendo construída lá no chão da loja, no mês a mês, na luta por condições justas.

Defender a isonomia tributária não é um discurso vazio. É a defesa do nosso emprego, do nosso ponto comercial, do nosso sócio, do nosso CLT que paga o aluguel, do nosso estoque que pegou crédito no banco. É a defesa de quem produz, emprega e vive em Aracaju.

"Quem produz aqui, emprega aqui e paga imposto aqui merece a mesma regra de quem vende daqui — venha o produto de onde vier."

O que estamos fazendo

Nas últimas semanas, a CDL Aracaju protocolou junto à bancada sergipana no Congresso Nacional um pleito formal defendendo a revisão da MP 1.357/2026 e a equalização do tratamento tributário entre o varejo nacional e as plataformas internacionais que operam no Brasil. Nossa posição é alinhada com a da CNDL — Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, da qual fazemos parte como uma das mais de 4.000 CDLs do país.

Não é uma luta de Aracaju isolada. É uma luta de mais de 800 mil lojistas brasileiros que pedem o mínimo: que vender no Brasil siga sendo possível para quem nasceu, cresceu e investiu em ser do Brasil.

Como você pode apoiar

Se você é lojista, três coisas que pesam:

  • Associe-se à CDL. Quanto mais associados, mais peso a nossa voz tem nos pleitos institucionais. Saiba como em 4 minutos.
  • Fale com seu deputado e senador. A bancada de Sergipe precisa ouvir do varejo local. Mandamos um modelo de carta para os associados que quiserem usar.
  • Compartilhe esse artigo. Quanto mais empresários virem essa pauta, mais difícil fica de o Congresso a tratar como assunto técnico secundário.

O comércio sergipano construiu emprego, riqueza e cidade. Defendê-lo é defender o futuro de quem decide acordar todo dia e abrir as portas. Esse futuro não pode estar refém de regras que premiam quem nunca pisou em Aracaju.

Estamos onde sempre estivemos: no chão da loja, e na mesa onde se decide o que afeta o chão da loja.